Como Funciona uma Big Band Independente? Bastidores da Orquestra Urbana
- Rafael Piccolotto de Lima

- 2 de jun.
- 12 min de leitura
Durante meu doutorado, tive uma conversa com a compositora Maria Schneider que permaneceu comigo por muitos anos.
Naquela época, eu já admirava profundamente seu trabalho. Sua música havia influenciado diretamente minha decisão de estudar nos Estados Unidos e expandido minha percepção sobre o que uma big band poderia ser. Eu a enxergava como uma das grandes referências da escrita contemporânea para grandes grupos e imaginava que alguém naquela posição passasse a maior parte do tempo compondo, ensaiando e apresentando sua música.
Em algum momento da conversa, o assunto se voltou para a realidade de dirigir uma big band autoral independente.
O que mais me marcou não foi uma observação sobre composição, mas sobre tudo aquilo que acontece ao redor dela. Maria descreveu uma rotina em que grande parte da energia era consumida pela organização de turnês, pela coordenação de músicos, pela busca de recursos, pela administração da plataforma ArtistShare, pelo relacionamento com apoiadores e por inúmeras atividades sem as quais a música simplesmente não chegaria ao palco.
Saí daquela conversa com uma sensação curiosa. Por um lado, ela desmontava uma fantasia que eu ainda carregava sobre a vida de um compositor e líder de big band. Por outro, trazia uma inesperada sensação de familiaridade. Aquela realidade já começava a aparecer nos meus próprios projetos.
Quando comecei a organizar meus próprios grupos, aquela conversa passou a fazer cada vez mais sentido. O público vê o concerto. Quem está dentro do projeto vê também tudo aquilo que precisa acontecer para que o concerto exista.
A Música É Apenas o Começo
Existe uma imagem relativamente comum sobre o trabalho de um compositor: alguém sentado diante de um piano, de um computador ou de uma folha de papel tomando decisões sobre sons, formas e estruturas.
Essa imagem não está errada. Ela apenas descreve uma parte do processo.
Especialmente quando falamos de um projeto independente envolvendo dezoito músicos, a composição costuma ser apenas o início de uma cadeia muito maior de acontecimentos. Uma obra pode estar pronta, um arranjo pode estar finalizado e uma visão artística pode estar claramente definida. Ainda assim, nada disso garante que a música será efetivamente realizada.
Entre a última nota escrita e a primeira nota tocada existe um universo de decisões, agendas, recursos, instituições, negociações e pessoas que precisam convergir na mesma direção.
Foi trabalhando com a Orquestra Urbana que comecei a compreender isso com mais clareza. Grande parte da energia necessária para manter um projeto dessa natureza ativo não está necessariamente ligada ao ato de escrever música, mas ao desafio de transformar uma ideia artística em algo que possa existir no mundo real.
O Que Acontece Antes do Primeiro Ensaio?
Muitas pessoas imaginam que um projeto começa quando os músicos entram na sala de ensaio. Na minha experiência, ele costuma começar muito antes.
Quase sempre existe um encontro entre uma visão artística e uma oportunidade concreta de realização. Às vezes surge primeiro a ideia. Em outras situações, surge primeiro a oportunidade. O mais comum é que as duas coisas acabem se encontrando em algum ponto do caminho.
Pelos Ares nasceu dessa combinação. Existia o desejo de registrar um conjunto de obras que representavam um momento importante da minha trajetória como compositor, mas foi a aprovação do projeto em um edital que tornou possível reunir os recursos necessários para transformar aquela intenção em realidade.
Algo semelhante aconteceu anos depois com a retomada da Orquestra Urbana e a apresentação na Sala São Paulo. Havia o desejo de reativar o grupo, desenvolver novas obras e retomar um trabalho que havia sido interrompido por diferentes circunstâncias. Mas foi a existência de uma oportunidade concreta - uma data, um espaço e um contexto favorável - que permitiu que tudo começasse a se mover.
A partir daí surgem as escolhas de repertório, os músicos, os ensaios, as partituras, a produção, a comunicação e toda a estrutura necessária para que a música aconteça.
Quanto mais tempo trabalho com grandes grupos, mais percebo que a realização artística depende justamente desse encontro entre aquilo que desejamos criar e as condições concretas que tornam essa criação possível.
As Pessoas São o Projeto
Quem olha um projeto desse porte de fora costuma associá-lo principalmente à figura de quem está à frente dele. Isso faz sentido até certo ponto. Afinal, existe uma direção artística, um repertório e uma visão que ajudam a orientar o trabalho.
Mas uma das coisas que a Orquestra Urbana me ensinou é que projetos dessa natureza raramente sobrevivem por causa de uma única pessoa. Eles sobrevivem porque existe uma rede de colaboradores que, em diferentes momentos, decide investir tempo, energia e confiança naquela ideia.
No caso da Orquestra Urbana, uma dessas pessoas foi o trompetista João Lenhare. Além de participar da formação inicial do grupo, João teve um papel fundamental na articulação com os músicos, na organização de agendas e na complexa dinâmica de substituições que inevitavelmente surge quando trabalhamos com quase vinte artistas que mantêm carreiras ativas e múltiplos compromissos profissionais.
Sua participação foi uma das primeiras experiências que me fizeram perceber o quanto a realização de um projeto como esse depende de pessoas dispostas a assumir responsabilidades que raramente aparecem no palco.
Outras pessoas também acabaram se tornando centrais na história da orquestra.
Uma delas é o baterista Rodrigo Marinônio, o Banha, que participa do projeto desde seus primeiros anos e cuja contribuição vai muito além da execução das partituras.
Em uma big band, a bateria ocupa uma posição particularmente delicada. Ela ajuda a definir o pulso, a energia, a sensação de movimento, a relação com os improvisadores e grande parte das dinâmicas que moldam a experiência musical. Em muitos aspectos, a personalidade musical do baterista acaba se tornando parte da identidade sonora da própria banda.
Sempre enxerguei o Banha como um dos músicos que ajudaram a construir essa identidade.
Existe também um aspecto humano que considero significativo. Banha é professor do Conservatório de Tatuí e, na maioria das vezes, os ensaios e apresentações da Orquestra Urbana acontecem em São Paulo ou Campinas. Isso significa deslocamentos frequentes, longas viagens e, muitas vezes, a logística adicional de transportar bateria, pratos e equipamentos.
São detalhes que o público dificilmente percebe quando vê um concerto pronto.
Mas eles ajudam a revelar uma dimensão importante de projetos como esse. Participar de uma big band independente durante tantos anos exige muito mais do que disponibilidade profissional. Exige interesse pelo repertório, pela convivência musical e pelo próprio processo de construção do grupo.
Essas conversas acabaram se tornando uma parte importante da identidade musical da banda. Muitas das contribuições mais importantes não surgiam apenas da leitura das notas escritas na página. Apareciam em conversas sobre dinâmica, interpretação, caráter de um groove, direção de uma seção, acompanhamento de um solo ou referências musicais que ajudavam a esclarecer uma intenção composicional.
São trocas que nem sempre aparecem nos créditos de um álbum ou na descrição de um concerto, mas que influenciam profundamente o resultado final.
As composições e os arranjos são parte importante da identidade da Orquestra Urbana. Mas essa identidade também foi construída pelos músicos que participaram do projeto ao longo dos anos.
A escolha dos músicos também começou a seguir outros critérios.
Naturalmente, aspectos técnicos continuam sendo importantes. Dependendo da posição dentro da banda, leitura, improvisação, experiência de naipe, domínio instrumental e versatilidade podem ser fatores decisivos.
Ao longo dos anos, porém, passei a prestar atenção também a outras características que nem sempre aparecem quando pensamos em audições ou currículos. A maneira como alguém trabalha em grupo, sua confiabilidade, sua disponibilidade para colaborar, o interesse real pelo projeto e a forma como contribui para o ambiente humano da banda acabaram se tornando critérios igualmente importantes.
Uma big band passa muitas horas junta. Ensaios, viagens, gravações, apresentações e toda a convivência que acontece ao redor desses encontros criam uma dinâmica que vai muito além da execução das partituras. Por isso, a escolha dos músicos nunca foi apenas uma questão de encontrar as pessoas mais qualificadas tecnicamente, mas também aquelas que acreditam no projeto e desejam contribuir para a construção daquele ambiente artístico.
Ao longo do tempo, a Orquestra Urbana passou a funcionar para mim como uma comunidade criativa reunida em torno de um projeto musical compartilhado.
O Trabalho Invisível
Quando as pessoas pensam em uma big band, normalmente imaginam ensaios, concertos ou gravações. Raramente pensam em tudo aquilo que acontece antes que os músicos se sentem diante das estantes.
Uma parte significativa desse trabalho passa pelas partituras.
Sempre tive uma relação muito dinâmica com o processo de composição. Mesmo depois de concluir uma obra, costumo continuar revisando, ajustando e repensando detalhes. Às vezes são mudanças pequenas de articulação, dinâmica ou distribuição de vozes. Em outras situações, são trechos inteiros que acabam sendo reescritos depois de ouvir a música funcionando na prática.
Essa característica acabou se tornando parte da própria cultura da Orquestra Urbana. Os músicos costumavam brincar que cada ensaio trazia uma nova versão das partituras. E, para ser honesto, muitas vezes era exatamente isso que acontecia.
Lembro de diversas ocasiões em que eu estava em Campinas e precisava ir para São Paulo para um ensaio no final da tarde. Em teoria, seria apenas um deslocamento relativamente simples. Na prática, eu frequentemente passava toda a manhã e boa parte da tarde revisando materiais, corrigindo partes, imprimindo páginas e organizando partituras.
Em alguns casos, eram mais de cem páginas para conferir, separar, montar e preparar antes de sair para a estrada.
Quando finalmente chegava ao ensaio, a sensação era de que uma parte importante do trabalho já havia acontecido muito antes de a primeira nota ser tocada.
Com o tempo, passei a entender que isso não era um problema do processo. Era parte da própria natureza de um projeto que funciona como laboratório criativo.
A partitura nunca foi apenas um produto final. Ela funcionava mais como um registro temporário de uma ideia em desenvolvimento. Cada ensaio trazia novas informações. Cada apresentação revelava detalhes que não apareciam durante a escrita. Cada gravação levantava novas perguntas.
Essa dinâmica transformava o próprio ensaio em uma continuação do processo composicional.
Muitas das decisões mais importantes sobre forma, orquestração, equilíbrio e interação entre improvisação e material escrito não surgiam diante do computador, mas ouvindo músicos reais interpretarem aquelas ideias.
Por isso eu costumava gravar ensaios e apresentações sempre que possível. Nem sempre com objetivos profissionais. Muitas vezes a intenção era simplesmente voltar para casa, ouvir tudo novamente alguns dias depois e observar coisas que haviam passado despercebidas no momento.
Grande parte do repertório da Orquestra Urbana amadureceu dessa forma. As obras foram sendo transformadas gradualmente, à medida que encontravam músicos reais, plateias reais e situações concretas de performance.
Por isso, quando olho para trás, tenho dificuldade de separar completamente composição e ensaio. Muitas decisões importantes nasceram justamente desse contato contínuo entre a escrita e a experiência prática de ouvir a música acontecendo.
O Equilíbrio Entre Arte e Realidade
Talvez o aspecto mais difícil de liderar uma big band independente não seja musical.
A escrita, os arranjos, os ensaios e a direção artística exigem estudo, experiência e muito trabalho. Mas, de certa forma, essas atividades permanecem dentro do território que escolhi habitar profissionalmente.
Os maiores desafios costumam surgir em outro lugar.
Eles aparecem quando uma ideia artística encontra a realidade concreta necessária para existir.
Ao longo dos anos, fui percebendo que praticamente todos os projetos da Orquestra Urbana nasceram do encontro entre uma intenção criativa e uma oportunidade real de realização.
O desejo de gravar o álbum Pelos Ares existia antes da gravação. Mas foi a aprovação no edital do ProAC que tornou possível transformar aquela ideia em algo concreto.
A vontade de reativar a orquestra existia antes da apresentação na Sala São Paulo. Mas foi a existência de uma data possível dentro da programação que permitiu que todo o restante começasse a se mover.
Da mesma forma, o segundo álbum acabou sendo construído através de uma série de oportunidades que surgiram ao longo de diferentes projetos. Em vez de concentrar toda a gravação em um único momento, aproveitamos apresentações, ensaios e encontros da banda para registrar gradualmente o repertório. Cada concerto ajudava a financiar, justificar ou viabilizar uma nova etapa do processo.
Esse tipo de adaptação faz parte da realidade de praticamente qualquer projeto independente.
Existe uma tendência de imaginar que primeiro vem o plano e depois a execução. Na prática, muitas vezes o caminho é mais orgânico. As oportunidades ajudam a moldar a forma final dos projetos.
Isso exige uma atenção constante para equilibrar ambição artística e viabilidade.
Talvez essa seja uma das responsabilidades que mais sinto enquanto diretor do projeto.
Sempre me considerei extremamente privilegiado por trabalhar com músicos que acreditam na proposta da Orquestra Urbana e desejam participar dela. Mas essa confiança também cria uma responsabilidade.
Nunca enxerguei a participação dos músicos como algo garantido. Sempre senti que cabia a mim buscar as melhores condições possíveis para que o trabalho deles fosse respeitado, valorizado e recompensado dentro das limitações reais de cada projeto.
A realidade econômica de uma big band independente raramente corresponde ao cenário ideal que gostaríamos de oferecer. Ainda assim, essa preocupação sempre fez parte da maneira como procurei conduzir a orquestra e tomar decisões sobre os projetos que realizamos.
Parte do meu trabalho consiste justamente em tentar aproximar essas duas pontas: a vontade de realizar projetos artisticamente relevantes e a necessidade de criar condições dignas para as pessoas que ajudam a torná-los possíveis.
Ao longo do tempo, percebi que uma parte significativa da direção artística acontece justamente nesse território. Não apenas na escolha do repertório ou na escrita da música, mas nas decisões que tornam possível que o projeto continue existindo.
O Que Aprendi Liderando Uma Big Band
Quando a Orquestra Urbana começou, minha atenção estava naturalmente voltada para a música.
Eu pensava nas composições, nos arranjos, nos ensaios e nos concertos. Era ali que estava meu interesse principal e, de certa forma, continua sendo.
Mas os anos acabaram me mostrando que uma parte importante da vida de um projeto acontece em outros lugares.
Ela acontece nas conversas que antecedem um concerto. Nas relações que se constroem ao longo do tempo. Na confiança necessária para que um grupo de pessoas continue se reunindo repetidamente em torno de uma ideia que exige trabalho, dedicação e um grau considerável de persistência.
Quando o projeto começou, eu provavelmente enxergava a orquestra principalmente a partir da perspectiva do compositor. Faz sentido que fosse assim. As obras eram o ponto de partida de tudo.
Com o passar dos anos, no entanto, comecei a perceber que a qualidade de um projeto artístico raramente depende apenas da qualidade da música. Ela também depende da maneira como as pessoas convivem, colaboram e enfrentam juntas as dificuldades inevitáveis que aparecem em qualquer realização de longo prazo.
Essa percepção também transformou minha relação com as próprias obras.
Quando ouço gravações antigas da Orquestra Urbana, reconheço as ideias que estavam presentes quando escrevi aquelas peças. Mas reconheço também a influência dos músicos que participaram do processo. Certas interpretações, determinadas soluções da seção rítmica, abordagens desenvolvidas por improvisadores e até pequenas decisões surgidas durante ensaios acabaram sendo incorporadas permanentemente ao repertório.
Com o tempo, ficou difícil enxergar essas obras como algo completamente separado das pessoas que ajudaram a construí-las. As partituras continuam sendo o ponto de partida, mas a identidade musical que se desenvolveu ao redor delas nasceu da convivência, da repetição dos encontros e da experiência acumulada ao longo dos anos.
No início, eu a via principalmente como uma continuação do trabalho composicional. Hoje ela me parece muito mais ligada à criação de um ambiente onde a música possa se desenvolver. Um ambiente que permita aos músicos contribuir, que favoreça a colaboração e que dê às obras tempo suficiente para amadurecer.
Em uma formação como a Orquestra Urbana, essas dimensões estão profundamente conectadas. A música nasce na escrita, mas continua se transformando através das pessoas que a realizam.
Por Que a Orquestra Urbana Continua Existindo?
Quando a Orquestra Urbana surgiu, em 2014, eu não imaginava que ela continuaria ativa mais de uma década depois.
Naquele momento, a preocupação era muito mais imediata. Eu queria reunir os músicos, ouvir aquelas composições diante de uma banda real e descobrir o que aconteceria quando aquelas ideias finalmente saíssem do papel.
Depois vieram outras oportunidades, outros concertos, gravações, projetos e colaborações. Como acontece com muitos trabalhos artísticos de longo prazo, o caminho não surgiu completamente desenhado desde o início. Ele foi sendo construído aos poucos.
Olhando para trás hoje, o que mais me impressiona não são necessariamente os discos ou as apresentações. É a continuidade.
Projetos dessa natureza atravessam mudanças constantes. Músicos entram e saem. As agendas se transformam. A vida profissional segue novos rumos. Circunstâncias externas alteram planos que pareciam sólidos. Em diferentes momentos da trajetória da orquestra, todos esses fatores estiveram presentes.
Minha própria vida mudou profundamente ao longo desse período. Passei a viver fora do Brasil, novos projetos passaram a ocupar espaço na minha rotina e, mais tarde, a pandemia interrompeu atividades presenciais no mundo inteiro.
Mesmo assim, a orquestra continuou encontrando maneiras de se reunir.
Acredito que isso acontece porque, para os músicos envolvidos, ela nunca foi apenas uma formação instrumental. Ao longo dos anos, tornou-se um espaço onde determinadas experiências musicais podem acontecer. Um lugar onde obras podem ser desenvolvidas durante longos períodos, revisadas, transformadas e reapresentadas. Um ambiente onde a convivência artística se torna parte do próprio processo criativo.
Aos poucos, a Orquestra Urbana passou a reunir interesses que sempre estiveram presentes no meu trabalho.
A música brasileira, a escrita para grandes grupos, a improvisação, a pesquisa artística e o trabalho coletivo acabaram encontrando ali um espaço comum.
Também existe uma dimensão pessoal nessa história.
Quando me mudei para os Estados Unidos, uma das minhas preocupações era encontrar maneiras de permanecer conectado ao universo musical que havia moldado minha formação no Brasil. Sem que eu previsse isso naquele momento, a Orquestra Urbana acabou se tornando uma dessas conexões.
Ao longo dos anos, ela passou a ocupar um lugar muito particular na minha vida artística. Tornou-se um ponto de encontro entre experiências que aconteceram em contextos diferentes, entre referências que vieram de lugares distintos e entre músicos que talvez não se encontrassem naturalmente em outro tipo de projeto.
Depois de mais de uma década, continuo encontrando nesse projeto muitas das questões que me atraíram quando ele começou. A curiosidade por determinadas sonoridades, o interesse em acompanhar como uma obra se transforma ao longo dos ensaios e apresentações e a experiência de trabalhar com músicos que frequentemente levam a música para lugares que eu não havia imaginado durante a escrita.
Essa combinação entre planejamento e descoberta continua sendo uma das coisas que mais me interessam no projeto.
Produção, recursos financeiros e logística fazem parte da história da Orquestra Urbana. Mas, olhando para trás, nenhum desses elementos explica sozinho sua continuidade.
O que permitiu que o projeto continuasse existindo foi o fato de que, em diferentes momentos de sua história, muitas pessoas decidiram investir tempo, energia, talento e confiança nessa ideia.
Os concertos, os discos e as obras são a parte mais visível da história da Orquestra Urbana. Mais difícil é mapear a quantidade de pessoas que contribuíram para que cada uma dessas etapas acontecesse. Essa rede de relações foi o que permitiu que o projeto continuasse avançando.
Sobre o autor
Rafael Piccolotto de Lima é compositor, arranjador, diretor musical e educador. Foi indicado ao Grammy Latino e teve obras apresentadas e gravadas por artistas como Terence Blanchard, Chick Corea, Brad Mehldau e Ivan Lins, além de orquestras como Metropole Orkest e Brasil Jazz Sinfônica.



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