Compor pra quê? Reflexões Sobre Criatividade, Carreira e Realização Musical
- Rafael Piccolotto de Lima

- 8 de jan. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: há 4 horas
Você saberia me dizer quais as vantagens de saber compor uma música?
Tanto do ponto de vista pessoal, quanto profissional?
Por que é tão importante - para nós músicos - conhecer e dominar o processo criativo musical?
Compartilho hoje boas razões para investir nosso tempo e energia na criação musical, em sermos criadores musicais de fato!
Para facilitar a leitura, separei três principais pontos que devem ser levados em consideração e um bônus para te fazer refletir e, quem sabe, embarcar neste universo comigo!
Habilidades relacionadas à composição
O estudo da Composição contribui para o desenvolvimento de outras habilidades musicais extremamente valiosas. Isso porque, dos processos criativos musicais, a composição é o mais completo. Compositores estudam uma série de áreas relacionadas e essenciais para a criação musical, como harmonia, contraponto, análise musical, instrumentação, orquestração, etc. Então, naturalmente, um bom compositor acaba sendo proficiente em uma série de outras atividades relacionadas.
Vou me utilizar como exemplo: eu me sinto muito a vontade para realizar uma série de outras atividades musicais que se baseiam em habilidades que eu desenvolvi como compositor. Desde atividades bem técnicas, como a preparação e edição de partituras, passando pelo trabalho criativo de adaptação musical, orquestração, arranjo, até a direção e produção musical. Todas essas outras atividades se beneficiam imensamente dos saberes musicais desenvolvidos no estudo da composição.
Por isso acredito que investir nessa parte mais alta e abrangente do processo criativo, nos faz automaticamente muito mais aptos a realizar todos os outros fazeres deste universo musical.
Realização pessoal
Todos os indivíduos, músicos ou não, queremos fazer algo positivo para nós e para os outros, queremos deixar uma marca no mundo, ter nossos projetos e nossas realizações. Ser um criador – saber compor – nos possibilita isso.
Eu, por exemplo, me sinto uma pessoa extremamente realizada quando penso o que já fiz na minha vida. Já estive ao lado de artistas extraordinários, tive minhas composições tocadas por grandes orquestras em algumas das principais salas de concerto do mundo, e escrevi para uma série de músicos renomados – muitos dos quais você provavelmente conhece –, e tenho gravações disso tudo.
Ser valorizado por suas criações e fazer algo único tem um valor indescritível. Esse tipo de realização pessoal é uma das possíveis recompensas da dedicação à arte da composição e criação musical!
Potencial artístico e de carreira
A habilidade de compor “destrava uma porta” para os músicos em geral. Muitos profissionais que trabalham apenas com repertório padrão, ou seja, fazendo covers de música popular ou apresentações de “standarts”, acabam se limitando. Quem compõe e trabalha com artistas em repertórios originais tem muito mais chances de produzir algo memorável. Afinal, se você parar para analisar seu álbum favorito, provavelmente vai perceber que nele há muitas composições originais e versões únicas.
Este conhecimento pode destravar uma série de possibilidades na sua carreira e, provavelmente, te ajudará a encontrar um caminho de maior sucesso artístico.

Bônus: Da música para a vida
Ao entender o processo criativo musical, estamos pensando não só em termos de música, mas em termos de criatividade. Entender a nossa própria criatividade, o fazer, o criar, te dá um domínio ainda maior. Quando compreendemos e dominamos nosso próprio processo, podemos levar essa experiência e prática para outras atividades e nos beneficiar muito com isso.
Nesse sentido, posso dizer que sigo o modelo do artista renascentista, que é versado em coisas diferentes, e transita por diversas facetas da arte. Carrego comigo, onde quer que eu esteja, as habilidades de conhecer o processo criativo. Acredito que, muitas vezes, são essas habilidades que me colocam a frente de muita gente e que me abrem uma série de portas que não estariam disponíveis se eu não dominasse esse processo.
Exemplo
Um bom exemplo da utilização do entendimento do processo criativo para outros fazeres é este blog aqui, que integra um projeto com vídeos para Youtube, Instagram, e os textos que você lê aqui no meu website. Expandi minhas habilidades criativas para outras áreas, que contribuem não só para o meu desenvolvimento profissional, como também para a divulgação da minha carreira de músico. Não estudei comunicação, mas senti a necessidade de me aprimorar e me jogar no universo das mídias sociais, com vídeos em que conto minhas experiencias e transmito conhecimento para colegas que estão começando na profissão. Aplico conceitos que aprendi no estudo da composição musical de maneira adaptada para a criação de textos e vídeos. Utilizo os mesmos processos de brainstorming e edição de idéias que uso no fazer musical, aqui para a criação desse conteúdo para as mídias sociais.
Domine o seu processo
Por isso, no meu curso de Processos Criativos, por exemplo, me preocupei em formatar o conteúdo sobre criatividade de uma maneira abrangente, focado em entender como nossa cabeça funciona, como pensamos, como geramos ideias, enfim, como o processo acontece ao longo do tempo. Mostro exemplos práticos e trabalho uma série de técnicas relacionadas ao fazer criativo e a composição musical.
Continue Explorando
Uma visão ampla sobre o papel do compositor e as diferentes formas que a composição pode assumir.
Uma reflexão sobre a página em branco, a liberdade criativa e os desafios do ato de compor.
Uma organização prática das etapas envolvidas na criação de uma obra musical.
Sobre o autor
Rafael Piccolotto de Lima é compositor, arranjador, diretor musical e educador. Foi indicado ao Grammy Latino e teve obras apresentadas e gravadas por artistas como Terence Blanchard, Chick Corea, Brad Mehldau e Ivan Lins, além de orquestras como Metropole Orkest e Brasil Jazz Sinfônica.


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