Como Criar Suas Próprias Oportunidades Como Compositor
- Rafael Piccolotto de Lima

- 9 de ago. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de jun.
Iniciando a carreira de compositor?
Saiba onde encontrar as oportunidades certas!
Todo início de carreira é complicado. Isso nós já sabemos. Mas, para criadores musicais, o nível de dificuldade para encontrar oportunidades pode ser ainda maior. Muitas vezes, só o empenho, a boa vontade, o talento e o conhecimento não são suficientes.
No começo - na maioria dos casos - dependemos dos outros: de sermos notados e convidados. Gostaríamos de ter oportunidades com grupos já estabelecidos, sejam bandas, orquestras ou qualquer outro tipo de projeto musical. Adoraríamos ter o apadrinhamento e acolhimento de profissionais reconhecidos no mercado, que essas pessoas nos dessem nossas primeiras oportunidades.
Mas, a realidade é geralmente outra. No geral, isso não acontece. Muitos jovens criadores musicais ficam a margem, colecionando composições e arranjos em uma gaveta - ou, hoje em dia, em uma pasta digital que ninguém além deles sabe que existe -, sem oportunidades de apresentarem seu trabalho e de ganharem experiência.
Grupos profissionais - especialmente os grandes, como orquestras sinfônicas - quase nunca dão espaço para repertórios originais de novos compositores. As poucas oportunidades são para profissionais que já têm nome no mercado, credibilidade, experiência e alguma relação prévia com o grupo em questão.
Então, como encontrar oportunidades como compositor, arranjador, orquestrador, enfim, como criador musical?
O segredo é ter iniciativa! Saber olhar o cenário e criar as próprias oportunidades.
Eu separei cinco dicas para quem precisa de um norte para começar!
1 - Projetos pequenos
Busque situações favoráveis para mostrar suas composições e arranjos aos seus professores e colegas músicos. Um bom exemplo é aproveitar todas as oportunidades que tiver para incluir o que você estiver escrevendo como parte sessões de leitura na sua escola de música, conservatório ou universidade. Aulas de composição, arranjo, instrumentação e orquestração muitas vezes dão oportunidades para os alunos terem sessões de leitura.
Outra ótima alternativa é buscar grupos que estão começando e precisando de repertório. Ofereça ajuda sem cobrar. Existem grandes chances deles ficarem felizes com sua proposta e tocarem algo que você escreveu (obviamente, se a visão artística de vocês for convergente e eles gostarem do seu trabalho).
2 - Cultive relacionamentos
Convide outros músicos e artistas para participarem de projetos e eventos onde eles poderão conhecer seu trabalho. Ao fazer isso tome cuidado para não parecer auto-promoção ou spam, especialmente na maneira de fazer o convite. Faça isso de maneira natural que agregue valor e experiências positivas para eles. Entenda que oportunidades e convites para projetos futuros vão vir em grande parte dessas pessoas, pessoas que conhecem você e admiram seu trabalho.
3 - Cada oportunidade pode gerar outras
Aproveite pequenas oportunidades. Um primeiro trabalho aceito pode abrir portas e gerar novos convites, independente se você foi pago para fazê-lo ou se fez simplesmente pela experiência e portfólio.
4 - Crie suas próprias oportunidades
Ao invés de simplesmente esperar o convite para compor ou arranjar para alguém, crie suas próprias oportunidades. Comece projetos onde você terá autonomia artística para escolher o repertório e apresentar suas músicas e arranjos.
5 - Faça valer a pena, não economize esforços
Surpreenda positivamente com a qualidade do seu trabalho e sua dedicação. Quanto mais você aproveitar as oportunidades que já tem, mais convites aparecerão. A tendência é que um trabalho bem feito te ajude a ser convidado para outros, incluindo oportunidades maiores.
Prova viva
Eu mesmo sou um exemplo de quem buscou incansavelmente oportunidades desde o início da carreira. Aliás, quando eu era bem jovem, eu já tinha interesse por composições e escrevia antes mesmo de ingressar na universidade.
Eu fazia aulas de trompete e participava do grupo de alunos do professor Clovis Beltrami em Campinas: a "Oficina Trompetando". Sempre que tínhamos uma apresentação, notei que o repertório se repetia e que apresentávamos as mesmas peças. Composições e arranjos originais para essa formação super específica - quartetos ou quintetos de trompete - eram algo raro. Então, resolvi mostrar ao meu professor um arranjo no qual eu estava trabalhando e perguntei se poderíamos toca-lo em um próximo ensaio. Ele aceitou.
Com um sorriso de orelha a orelha, levei as partituras no próximo encontro do grupo. Tocamos. Foi uma das minhas primeiras experiências ouvindo um arranjo meu tocado por um grupo semi-profissional. Eu tinha cerca de 15 anos de idade na época e não me continha de tanta alegria!
Ele analisou, gostou e acabou incluindo a música no repertório do grupo, além de, posteriormente, me encomendar novas músicas que foram gravadas como parte de um álbum: "Caminhos Brasileiros - Estrada Minha" (Oficina Trompetando).
Então, não espere a oportunidade bater a sua porta, crie, realize!
Este é o pensamento que todo compositor deve ter!
Continue Explorando
Criar oportunidades é importante, mas também é preciso estar preparado quando elas aparecem. Neste artigo compartilho uma experiência que ajudou a direcionar minha trajetória como compositor ainda no início da universidade.
Muitas oportunidades relevantes surgem a partir de projetos aparentemente modestos. Entenda como pequenos trabalhos podem se transformar em degraus para projetos maiores.
Nem sempre conseguimos prever quais projetos terão maior impacto em nossa carreira. Neste texto conto a história de uma colaboração que acabou levando a uma indicação ao Grammy Latino.
Sobre o autor
Rafael Piccolotto de Lima é compositor, arranjador, diretor musical e educador. Foi indicado ao Grammy Latino e teve obras apresentadas e gravadas por artistas como Terence Blanchard, Chick Corea, Brad Mehldau e Ivan Lins, além de orquestras como Metropole Orkest e Brasil Jazz Sinfônica.










Bom dia, caríssimo mestre!
Quanto mais leio sobre a sua história mais apaixonada fico e reconheço o abismo que existe em conhecer e reconhecer a nossa cultura, os nossos talentos, os nossos heróis. O senhor é um sobrevivente de um país que não nos ensinou a adorar o talento, a poesia que são os nossos musicistas
Obrigada por me oportunizar, enquanto há tempo, em conhecer tão encantador, esplêndido artista.
Por mais tempo para aprender com você.