Música de Concerto e Música Popular: Quais São as Principais Diferenças?
- Rafael Piccolotto de Lima

- 2 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Para os apreciadores, gêneros musicais podem ser apenas uma questão de preferência. Mas, para compositores, arranjadores e produtores musicais, o fazer musical de cada estilo pode ser bem diferente.
Você sabe, por exemplo, qual a principal diferença entre a música de concerto e a música popular? E que compositores de diferentes estilos podem ter processos criativos bem distintos?
Para quem quer se aventurar no universo da criação musical, conhecer profundamente as nuances e diferenças de estilo é algo extremamente importante. Os processos criativos de cada gênero tem uma influência direta no resultado final da obra.
A música de concerto e a música popular podem apresentar similaridades em diversos aspectos, como a construção de um tema, por exemplo, mas tendem a seguir processos de composição e desenvolvimento musical bem diferentes.
O Compositor Como Criador Completo
Sob um ponto de vista mais amplo, quando falamos em música de concerto, o compositor geralmente exerce uma série de funções. Ele é o criador completo da obra. Não apenas cria um tema e um acompanhamento de acordes, mas é “responsável” por tudo o que está acontecendo, ou seja, se torna o compositor, arranjador e orquestrador.
O Processo Colaborativo na Música Popular
Já na música popular, a figura do compositor que cumpre todas estas funções é menos comum. Ao contrário, geralmente os compositores populares focam somente na construção melódica com um acompanhamento simples de acordes (e possivelmente um letra, se for uma canção). Todo o restante do processo de desenvolvimento da obra, incluindo arranjo, muitas vezes é executado por outros profissionais.
Diferenças de Forma e Desenvolvimento Musical
Outra grande diferença é a estrutura. Música de concerto tende a ser mais longa, com formas mais complexas e maior desenvolvimento. Enquanto a música popular, principalmente se pensarmos em uma estrutura de canção, são mais curtas, simples e mais repetitivas, com os versos e o refrão. A música popular tem uma forma bem mais fechada se comparada a estrutura livre e mais alongada de muitas composições de concerto, incluindo o jazz orquestral.
Cada Compositor Cria Seu Próprio Universo
Além disso é importante mencionar que cada compositor, seja ele erudito ou popular, tem sua própria maneira de escrever, o que amplia ainda mais as possibilidades criativas e a variedade de resultados musicais.

No final das contas, cada compositor tem o potencial de ser um universo musical em si, para além de gêneros e classificações. Minha tese de doutorado, por exemplo, discute exatamente isso, a fluidez dos gêneros musicais e as infinitas possibilidades do processo criativo.
→ Blurred Distinctions: O Que Minha Pesquisa de Doutorado Me Ensinou Sobre Jazz, Música de Concerto e Linguagens Híbridas
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Uma reflexão sobre as dificuldades de classificar a produção musical contemporânea utilizando categorias tradicionais.
→ Escrevendo Música Brasileira para Orquestra: Entre a Música Popular, o Jazz e a Música de Concerto
Sobre os encontros possíveis entre diferentes linguagens musicais dentro de uma mesma obra.
Uma análise dos desafios e oportunidades que surgem quando diferentes tradições musicais passam a dialogar.
Uma reflexão sobre identidade artística e construção de linguagem entre diferentes universos musicais.
Sobre o autor
Rafael Piccolotto de Lima é compositor, arranjador, diretor musical e educador. Foi indicado ao Grammy Latino e teve obras apresentadas e gravadas por artistas como Terence Blanchard, Chick Corea, Brad Mehldau e Ivan Lins, além de orquestras como Metropole Orkest e Brasil Jazz Sinfônica.


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