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É possível aprender a compor?

Atualizado: 21 de abr. de 2023

Falamos aqui muito sobre composição musical, processo criativo e até dos cursos que ofereço online com o objetivo de ajudar músicos nesta trajetória. Mas, será que é realmente possível aprender a compor? Ou seria um privilégio de poucos que já nasceram com um certo talento e vocação para isso?


Esse pode ser um assunto polêmico. Já ouvi pontos de vista diferentes e respostas contraditórias.

Nesse artigo eu divido o meu ponto de vista, como educador e compositor!


Então, afinal, é possível aprender a compor?



Considerações iniciais

É claro que existe uma questão de talento, pré-disposição. Certas pessoas têm uma inclinação maior para este lado criativo do que outras. Isso começa pelo próprio interesse na area, interesse em experimentar e estudar o assunto.


Mas será que tempo e energia investidos podem destravar esse fluxo? Será que a dedicação para entender e dominar os processos criativos pode ajudar um músico a se colocar na posição de criador?


Eu observei algumas coisas interessantes durante as duas décadas da minha vida dedicadas a composição. Anos de experiência trabalhando com criatividade em geral.


Vou dividir algumas dessas reflexões com vocês aqui!


Não espere a receita do bolo!

Metaforicamente, ensinar a compor é muito diferente de ensinar alguém a "fazer um bolo". Afinal, quando você está ensinando a pessoa a trabalhar com criatividade não existem fórmulas prontas.


Em uma receita culinária qualquer, transmitimos o passo a passo, as medidas de cada ingrediente e o tempo de cocção. Se a pessoa seguir todas as regras, ao final ela chegará a um resultado que pode ser muito parecido com o do mestre. Essa pessoa estará apenas replicando um modelo que funciona.


Quando falamos sobre criatividade, sobre arte, a proposta é outra. A ideia não é replicar, mas sim se apropriar do que já existe – a tradição musical – e (re)criar em cima dela. Recriar a sua própria maneira.


Vale observar também que existe um espectro de originalidade quando falamos de criadores musicais; alguns compositores ficam mais próximos a tradição, enquanto outros buscam caminhos mais inovadores e experimentais. Tudo vale.


Mas, se não tem receita, como fazer?

É possível ensinar como buscar esses caminhos, ajudar cada compositor em potencial encontrar a própria voz. Para isso temos que construir uma base teórica e técnica, dominar os fundamentos que nos servem como ferramentas essenciais nesse processo. Resumindo: muito estudo e empenho!


Não tem segredo. Todos temos que passar por esse processo: estudar muito, colocar os ensinamentos prática e se aprimorar ao longo dos anos. Só de faculdade foram quase 12 anos para mim – muito tempo dedicado aos estudos. Tempo dividido em duas graduações, iniciação científica, mestrado e doutorado. Muita tentativa e erro, autocrítica e comentários dos meus mestres.


Rafael Piccolotto de Lima (centro) com mentor Gary Lindsay (esquerda) e compositora Maria Schneider (direita).

Um exemplo - minha trajetória e estudo

Divido com vocês minha trajetória acadêmica como um exemplo de quanta dedicação existiu nesse caminho. Foram 7 anos na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), nos cursos de Composição Erudita e Música Popular. Durante esse período estudei as mais variadas técnicas de composição erudita, harmonia (de vários períodos históricos), contraponto, análise musical, instrumentação, orquestração, etc. Já no curso de Música Popular estudei arranjo, harmonia do jazz, prática de grupo, improvisação, etc.


Depois fui para os EUA. Fiz meu mestrado em Studio Jazz Writing na Universidade de Miami, focado na escrita para grandes grupos e a prática do estúdio. E durante o doutorado – na área de Composição de Jazz – estudei a fundo a relação entre a música de concerto e o jazz, processos híbridos na criação musical.


Tudo isso além do estudo pré e pós universidade. E não se enganem, até hoje eu continuo estudando e pesquisando.


Um adendo importante: cada caminho é diferente

Vale salientar também que cada criador musical – cada compositor, cada arranjador – vai trilhar um caminho diferente e chegar a resultados únicos. Meu caminho – como você acabou de saber – foi muito acadêmico, mas o seu pode ter um rumo totalmente diferente. Todos são válidos, o que importa é o estudo e a dedicação, achar as ferramentas e os processos que funcionam para VOCÊ.


Não espere "estar pronto" para começar a criar

Comece a compor assim que tiver vontade! Não espere "estar preparado" para dar os primeiros passos criativos.


Antes mesmo de eu começar toda essa trajetória acadêmica que eu contei para vocês, eu já compunha. Me faltavam ferramentas, mas isso não me impedia de arriscar. Foram em grande parte essas experiências que me fizeram começar a caminhar. De lá pra cá tem sido um contínuo processo de evolução e transformação.


A evolução do compositor

Ninguém se torna um grande compositor do dia pra noite. A evolução do compositor é um processo contínuo através do contato com técnicas específicas, do entendimento da própria criatividade e muita experimentação. Não é uma chave que vira de repente. Mas um bom mestre, um bom curso, uma série de práticas guiadas e com feedback podem conduzir esse processo. Através do ato de criar descobrimos nossos próprios caminhos e possibilidades.


Para ser um verdadeiro criador musical, você precisa estar apaixonado pelo processo criativo: constantemente buscando novas descobertas musicais, encantado com a experimentação de ideais diferentes e decidido a tornar tudo isso em realidade.


Como enfatizei, não existe um passo a passo único. Compositores devem entender as técnicas, os caminhos, e entender a si mesmos. Esses são os princípios para desenvolver os SEUS processos criativos.


Esse é o tema do meu principal curso: “processos criativos”. Nesse curso eu abordo a criação musical como um todo, desde a idealização, a composição, até os processos mais técnicos de arranjo e orquestração, concluindo com questões relevantes da direção e produção musical.


E ai, que tal começar a ampliar os horizontes e destravar seu processo?!




 

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Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador
Sobre o autor

Rafael Piccolotto de Lima foi indicado para o Grammy Latino como melhor compositor erudito. Ele é doutor em composição de jazz pela Universidade de Miami e tem múltiplos prêmios como arranjador, diretor musical, produtor e educador.


Suas obras foram estreadas e/ou gravadas por artistas como as lendas do jazz Terence Blanchard, Chick Corea e Brad Mehldau, renomados artistas brasileiros como Ivan Lins, Romero Lubambo, e Proveta, e orquestras como a Jazz Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica das Américas e Metropole Orkest (Holanda).


Criadores musicais (conteúdo educacional):

Rafael Piccolotto de Lima (conteúdo artístico):
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