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Como uma Nova Obra para Orquestra é Criada? Da Encomenda à Estreia

Writer: Rafael Piccolotto de Lima
Rafael Piccolotto de Lima
Jun 4
11 min read

Updated: Aug 1

Uma nova obra para orquestra não começa necessariamente na partitura, nem termina quando a escrita é concluída. Entre uma ideia inicial e sua estreia existe um percurso que envolve tanto a criação musical quanto as condições concretas para realizá-la.


Esse caminho pode começar com uma encomenda, uma iniciativa do compositor ou uma conversa com um solista ou maestro. Ao longo dele, a criação se encontra com decisões práticas, relações profissionais e o trabalho dos intérpretes que levarão a música ao palco.


Este texto observa esse processo em escala ampla. O foco não está nas minúcias técnicas da escrita de melodias, harmonias ou formas, mas no caminho pelo qual uma possibilidade musical se transforma em uma obra para orquestra e chega à sua primeira apresentação.


Vista superior de uma mesa com a grade do maestro, partes individuais de Danças da Quarentena, lápis, fita crepe e estilete durante o processo de preparação das partituras.
Preparação das partituras de Danças da Quarentena antes dos ensaios para apresentação no Jazz Gallery em NYC.

Não existe um único percurso possível. Para explorar algumas dessas possibilidades, recorro a experiências concretas da minha trajetória como compositor de obras para orquestra. Elas não pretendem estabelecer um modelo universal, mas mostrar como diferentes ideias, oportunidades e colaborações podem participar da criação e da realização de uma obra.


O que é uma encomenda musical?


Uma encomenda musical, em sentido estrito, acontece quando um solista, uma orquestra, um festival ou uma instituição solicita a um compositor a criação ou o desenvolvimento de uma nova obra para um contexto específico. O acordo pode estabelecer a formação instrumental, a duração, o prazo, as circunstâncias da estreia e a remuneração pelo trabalho. Os termos variam, mas existe um pedido reconhecível que vincula o trabalho do compositor a determinado projeto e a uma perspectiva de realização.


Nem toda oportunidade que leva à criação ou à estreia de uma obra constitui uma encomenda formal. Festivais podem selecionar músicas que já foram escritas, concursos de composição podem premiar obras existentes e iniciativas acadêmicas podem oferecer intérpretes e um concerto sem encomendar diretamente a música. Colaborações e propostas iniciadas pelo próprio compositor também podem criar oportunidades para novas obras por meio de acordos diferentes de uma encomenda tradicional.


Essas distinções são importantes, embora todos esses caminhos façam parte do processo mais amplo discutido aqui: o encontro entre uma iniciativa criativa e as condições necessárias para realizá-la. No universo acadêmico, por exemplo, institutos e grupos musicais ligados às universidades podem tanto encomendar novas composições quanto criar concertos nos quais elas possam ser apresentadas. Durante minha atuação no Henry Mancini Institute, escrevi Asas, Zóio e Matulão, obra encomendada pelo instituto e apresentada em um de seus concertos. A Bienal de Música Brasileira Contemporânea, organizada pela Funarte, representa outro modelo: somente em sua edição de 2021, o programa reuniu 44 estreias mundiais, embora nem todas essas obras tenham surgido necessariamente como encomendas.


Outras encomendas partem de solistas interessados em ampliar o repertório de seus instrumentos. Foi esse o ponto de partida do Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra, que será discutido na próxima seção. Nesse caso, o convite do tubista Patricio Cosentino vinculou desde o início a criação da obra a um intérprete, a um propósito artístico e a uma perspectiva concreta de estreia.


As relações profissionais construídas ao longo dos anos também podem dar origem a novas obras. Rasga Villa, por exemplo, nasceu de uma encomenda da Brasil Jazz Sinfônica depois de uma colaboração que já envolvia concertos, arranjos e músicos em comum.


Em outras situações, o movimento parte do próprio compositor. O Forró Sem Palavras Sinfônico surgiu de uma proposta que apresentei à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e resultou em um concerto com estreias mundiais, estreias brasileiras e novos arranjos preparados especificamente para aquela realização.


Os concursos de composição acrescentam outra possibilidade. Na primeira Bienal de Composição da Brasil Jazz Sinfônica, realizada em 2015, obras de compositores brasileiros foram selecionadas para apresentação pela orquestra. Minha participação com Inconsciente contribuiu para que a obra entrasse posteriormente em sua programação.


Já no BMI Jazz Composers Workshop, do qual fui finalista em duas edições, o vencedor do Charlie Parker Jazz Composition Prize recebe uma premiação de US$ 3 mil vinculada à encomenda de uma nova obra, estreada pela BMI/New York Jazz Orchestra no concerto do ano seguinte.


São mecanismos diferentes, mas todos aproximam uma iniciativa criativa das condições profissionais necessárias para que ela se transforme em obra apresentada ao público.


Exemplo: o Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra


Um exemplo de encomenda surgida da iniciativa de um solista é o Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra, que escrevi recentemente a convite do tubista Patricio Cosentino. A parceria nasceu de seu interesse em ampliar o repertório original para a tuba e já estava vinculada a uma perspectiva concreta de realização com uma orquestra sinfônica.


Patricio desenvolve um projeto dedicado a novas obras de compositores latino-americanos para tuba solista. Nesse contexto, o concerto foi concebido para receber sua estreia mundial e, posteriormente, circular como parte de um programa representativo da diversidade musical da América Latina, com a possibilidade de uma gravação oficial da obra.


Rafael Piccolotto de Lima, Linus Lerner e Patricio Cosentino seguram as partituras do Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra. Ao lado, ensaio da obra com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas no Teatro Castro Mendes, em Campinas, em 2025.
À esquerda, Linus Lerner, Patricio Cosentino e eu com a partitura do Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra. À direita, ensaio da obra com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, em 2025.

Fui recomendado para o projeto justamente por desenvolver uma linguagem fortemente ligada à música brasileira. A proposta buscava compositores capazes de representar musicalmente seus próprios contextos culturais, e foi dentro dessa perspectiva que surgiu o convite.


As primeiras conversas partiram de uma ideia relativamente aberta: escrever uma obra para tuba e orquestra, com cerca de vinte minutos de duração e liberdade para encontrar um caminho musical próprio. Aos poucos, essa proposta deu origem a uma composição em três movimentos inspirados em ritmos brasileiros: Maracatu, Ciranda e Maculelê.


No caso deste concerto, o processo de criação começou antes da primeira nota: a conversa estabeleceu os objetivos e o campo no qual a obra seria desenvolvida.



O diálogo antes da escrita


Uma parte importante da definição de uma obra pode acontecer antes que a escrita da partitura comece. Sua duração, a formação disponível, o perfil dos intérpretes, o contexto artístico da estreia e as limitações práticas do projeto podem influenciar diretamente o resultado.


No caso do Concerto Brasileiro para Tuba, por exemplo, houve diversas conversas com Patricio ao longo do processo. Trocamos mensagens, realizamos encontros por vídeo, compartilhamos gravações e discutimos possibilidades específicas do instrumento. À medida que a obra tomava forma, ele experimentava determinados trechos e me enviava comentários sobre recursos técnicos e musicais da tuba. Esse diálogo influenciou algumas das decisões tomadas durante a composição.


O compositor continua responsável pelas decisões da obra, mas seu pensamento pode ser influenciado pelo contexto no qual ela será realizada. As condições apresentadas pela instituição, as características da orquestra e o diálogo com solistas e outros intérpretes podem definir parâmetros, sugerir investigações ou oferecer feedback sobre o que está sendo escrito. Essa influência pode acontecer durante o processo criativo e também nos ensaios, quando o compositor ouve a música sendo tocada e avalia se alguma decisão precisa ser revista.



Entre a ideia e a decisão de desenvolver uma obra


Cada compositor desenvolve seu próprio processo de trabalho. No meu caso, o ponto de partida varia de uma obra para outra e pode estar tanto em uma inquietação artística quanto nas possibilidades abertas por um projeto concreto.


Obras encomendadas e obras iniciadas pelo próprio compositor oferecem estruturas diferentes para a criação. Uma encomenda normalmente estabelece um campo relativamente claro para o projeto, e seus parâmetros podem estar mais ou menos alinhados aos interesses pessoais e criativos do compositor. Quando a iniciativa parte do próprio compositor, é ele quem constrói essa estrutura, muitas vezes em diálogo tanto com seus interesses artísticos quanto com aquilo que considera possível realizar.


Essas situações envolvem formas e graus diferentes de liberdade criativa, mas uma não é necessariamente melhor do que a outra. Um contexto mais restritivo pode levar o compositor a explorar um caminho que ainda não fazia parte de seus interesses e, durante o processo, despertar uma nova busca artística.


Em qualquer uma dessas situações, é necessário que exista uma motivação capaz de sustentar o trabalho. Muitas das obras mais importantes da minha trajetória nasceram justamente do encontro entre uma curiosidade artística pessoal e uma oportunidade concreta de realização.


No início da minha formação, eu criava materiais simplesmente porque queria explorá-los. Alguns permaneciam como lead sheets, isto é, melodias acompanhadas por cifras. Outros avançavam para experimentações relacionadas ao desenvolvimento da peça ou para esboços de um possível arranjo. Poucas dessas ideias se transformavam em obras inteiramente escritas se sua única função fosse servir como exercício.


À medida que fui me estabelecendo como compositor e arranjador, começaram a surgir oportunidades concretas de apresentações, estreias e gravações. Minha energia criativa passou, então, a se concentrar cada vez mais em projetos com uma perspectiva real de realização.


Quando eu tinha um interesse artístico especialmente forte em desenvolver uma obra, procurava avaliar, antes de investir plenamente em sua criação, se havia possibilidades de apresentá-la ao vivo ou gravá-la. Quando essas condições ainda não existiam, eu buscava construí-las ativamente por meio de parcerias e outras formas de viabilização do projeto. Assim, muitas ideias permaneciam no campo das criações possíveis até encontrarem as condições necessárias para se transformar em obras.


Escrevendo para músicos reais


Rafael Piccolotto de Lima ao centro do palco durante ensaio com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e o sexteto de músicos convidados para o concerto Forró sem Palavras, em 2019.
Ensaio do concerto Forró sem Palavras com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e o sexteto de músicos convidados, em 2019.

Uma das maiores diferenças entre imaginar uma obra e vê-la ganhar vida aparece no momento em que ela começa a ser preparada para músicos reais.


Uma composição não é escrita apenas para uma formação instrumental. Ela também é escrita para pessoas com experiências, formações, referências musicais e maneiras próprias de interpretar uma partitura.


Por isso, uma mesma obra pode soar de formas muito diferentes dependendo de quem a interpreta. Uma orquestra formada por músicos familiarizados com determinadas tradições brasileiras pode reconhecer com maior naturalidade certos aspectos rítmicos de uma peça influenciada por essas linguagens. Outra orquestra, igualmente excelente, mas formada em um contexto cultural diferente, poderá encontrar desafios distintos.


O mesmo vale para solistas e maestros. Quando componho, imagino a melhor realização possível da obra, mas a performance sempre acrescenta elementos que não existem na partitura. É nesse encontro entre a escrita e a interpretação que a música passa a existir como experiência compartilhada.


Ensaios, descobertas e revisões


A conclusão da partitura inaugura uma nova etapa do processo. Nos ensaios, as decisões tomadas durante a escrita entram em contato com a experiência sonora da orquestra.


Grade orquestral impressa da composição Samba de Proveta com marcações manuscritas realizadas após um ensaio para orientar revisões da obra.
Grade orquestral de Samba de Proveta com anotações feitas após um ensaio.

Os ensaios podem revelar aspectos não previstos durante a escrita. Mesmo utilizando programas sofisticados de simulação orquestral, nada substitui uma orquestra real interpretando a obra pela primeira vez.


Exemplo: Voa Hermeto, da estreia à gravação


Vivi isso recentemente com Voa Hermeto. A peça foi estreada pela Orquestra Urbana na Sala São Paulo e, poucos dias depois, entrou em estúdio para gravação. Durante os ensaios e a apresentação, percebi que algumas escolhas de orquestração poderiam funcionar melhor. Reescrevi determinadas passagens, redistribuí materiais entre saxofones e trompetes e adaptei detalhes pensando nas características específicas dos músicos que estavam interpretando a obra.


A Orquestra Urbana se apresenta na série Matinais da Sala São Paulo durante a estreia da composição Voa Hermeto, dedicada a Hermeto Pascoal, em 2025.
Estreia de Voa Hermeto com a Orquestra Urbana na série Matinais da Sala São Paulo, em 2025.

A versão gravada já não era exatamente a mesma apresentada na estreia. Esse tipo de revisão faz parte do percurso de muitas composições. Em vez de encerrar o processo, a estreia costuma abrir uma nova etapa, em que a partitura pode ser revisada e refinada à medida que entra em contato com novos intérpretes e novos contextos de performance.


Exemplo: as transformações de Inconsciente


Poucos exemplos ilustram melhor esse processo do que Inconsciente, uma das primeiras obras minhas a ganhar uma versão para orquestra.


Escrevi essa música quando tinha dezoito anos. Na época, ela existia apenas como uma obra para pequeno grupo instrumental, um lead sheet tocado pelo quarteto de música instrumental brasileira que eu tinha montado no meu primeiro ano de faculdade de música. Pouco tempo depois, surgiu uma oportunidade inesperada.


Clóvis Beltrami, que havia sido meu professor de trompete antes de meu ingresso na UNICAMP, também lecionava o instrumento na universidade e atuava como primeiro trompete da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e da Big Band Canavial. Ele comentou comigo sobre um concerto especial que reuniria os dois grupos e perguntou se eu tinha alguma composição que pudesse funcionar naquele contexto.


Eu não tinha, pelo menos não naquela formação. Mas enxerguei uma oportunidade. Reescrevi a peça para big band e orquestra, enviei a partitura e o maestro decidiu incluí-la no programa.


Assim aconteceu minha primeira estreia sinfônica profissional. Eu estava no primeiro ano da faculdade, ao mesmo tempo empolgado e apreensivo com a dimensão daquela oportunidade.


No dia da apresentação, na plateia estava Ciro Pereira, um dos nomes mais importantes da escrita para grandes grupos no Brasil e uma das figuras fundamentais da Brasil Jazz Sinfônica. Depois do concerto, fui apresentado a ele e recebi comentários generosos sobre a obra.


A história, porém, não terminou ali. Ao longo dos anos, Inconsciente passou por uma série de transformações. A peça começou como uma composição para pequeno grupo instrumental (2004), ganhou uma versão para big band e orquestra no mesmo ano e foi revisitada para meu concerto de formatura na UNICAMP (2011). Nos anos seguintes, voltou a ser apresentada em projetos ligados à Universidade de Miami, foi selecionada em um concurso de composição da Brasil Jazz Sinfônica (2015), ganhou uma versão para big band estreada em um concerto do NY Jazz Composers’ Mosaic, em Nova Iorque (2019), integrou o Forró Sem Palavras Sinfônico em Campinas (2019) e chegou a uma nova gravação com a Orquestra Urbana em São Paulo (2025).


Rafael Piccolotto de Lima rege a Orquestra Sinfônica da UNICAMP e uma big band durante o ensaio de Inconsciente em seu recital de formatura, em 2011.
Uma das primeiras versões de Inconsciente, em ensaio com a Orquestra Sinfônica da UNICAMP e uma big band para meu recital de formatura, em 2011.

Rafael Piccolotto de Lima rege a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e solistas convidados durante apresentação de uma nova versão de Inconsciente no projeto Forró Sem Palavras Sinfônico, em 2019.
Nova versão de Inconsciente apresentada no projeto Forró Sem Palavras Sinfônico, com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e solistas convidados, em 2019.

Rafael Piccolotto de Lima rege a estreia da versão para big band de Inconsciente durante concerto do projeto NY Jazz Composers’ Mosaic, em Nova Iorque, em 2019.
Estreia da versão para big band de Inconsciente no projeto NY Jazz Composers’ Mosaic, em Nova Iorque, em 2019.

Ensaio da Orquestra Urbana em São Paulo durante a preparação para uma nova gravação da composição Inconsciente.
Ensaio da Orquestra Urbana durante a preparação para uma nova gravação de Inconsciente como parte do novo álbum.

Cada nova apresentação trouxe mudanças, revisões e novas soluções musicais. Mais recentemente, a obra voltou a ser revisitada para a Orquestra Urbana e passou por novas adaptações até chegar à versão que integra meu trabalho atual.


A música que escrevi aos dezoito anos continua viva, embora já não seja exatamente a mesma. Algumas obras continuam mudando durante anos. A estreia é um marco importantíssimo em sua trajetória, mas não representa necessariamente a chegada a uma versão definitiva.


Depois da estreia: o desafio da circulação


A estreia inaugura a vida pública de uma obra, mas não garante que ela continuará circulando. Pouquíssimas composições entram de forma consistente no repertório de diferentes orquestras.


Em muitos casos, o futuro de uma obra depende menos de sua qualidade musical do que das circunstâncias que a cercam. A existência de uma gravação, o interesse de um solista, o apoio de um maestro, o envolvimento de uma instituição ou uma programação favorável podem determinar se uma composição continuará circulando ou desaparecerá após a estreia. Por isso, a circulação de novas obras continua sendo um dos grandes desafios da carreira de um compositor de música orquestral contemporânea.


Rafael Piccolotto de Lima rege a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas durante apresentação de Abertura Jobiniana na Concha Acústica do Taquaral, em Campinas, em 2025. A obra, indicada ao Grammy Latino, é uma das suas composições mais reapresentadas por diferentes orquestras.
Apresentação de Abertura Jobiniana pela Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas na Concha Acústica do Taquaral, em 2025. Esta é minha composição sinfônica com o maior número de apresentações.


Da encomenda à estreia


Os percursos do Concerto Brasileiro para Tuba e Orquestra, de Voa Hermeto e de Inconsciente mostram maneiras diferentes pelas quais uma obra pode chegar ao palco. No primeiro caso, a encomenda estabeleceu o campo para a criação. Em Voa Hermeto, os ensaios e a estreia conduziram a revisões antes da gravação. Em Inconsciente, uma oportunidade inicial abriu um processo de transformações que atravessou mais de duas décadas.


Em todos esses casos, a partitura ocupa um lugar central, mas não contém sozinha toda a história da obra. A criação também é influenciada pelas condições do projeto, pelo diálogo com os intérpretes e pelo que se revela nos ensaios e nas apresentações. A estreia transforma o processo de composição em uma experiência pública e pode marcar o início de novas revisões, interpretações e possibilidades de circulação.


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Sobre o autor


Rafael Piccolotto de Lima é compositor, arranjador, diretor musical e educador. Foi indicado ao Grammy Latino e teve obras apresentadas e gravadas por artistas como Terence Blanchard, Chick Corea, Brad Mehldau e Ivan Lins, além de orquestras como Metropole Orkest e Brasil Jazz Sinfônica.




Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador

 
 
 

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