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Transforme pequenos projetos artísticos em grandes oportunidades

Atualizado: 6 de nov. de 2022

Já parou para pensar que todo e qualquer projeto artístico é uma oportunidade de crescer para além do projeto em si?


Pois é! Hoje vamos falar de como utilizar nossos projetos para crescer para além deles. Aliás, vou contar para vocês: este é um dos segredos que me ajudou a conseguir algumas oportunidades enquanto compositor e arranjador. Desde escrever para a Brasil Jazz Sinfônica, para a Metropole Orkest da Holanda e para a Sinfônica das Américas, nos Estados Unidos, até ter minha música apresentada por Chick Corea, Terence Blanchard, Brad Melhdau, e tantos outros grandes artistas do jazz e da música brasileira, como Ivan Lins, Mart’nália, Romero Lubambo e Proveta.


Rafael Piccolotto de Lima e Terence Blanchard no bastidores da gravação do especial de TV "Jazz and the Philharmonic"

As grandes oportunidades que tive foram porque eu soube aproveitar projetos anteriores que eram menores. Fiz o melhor trabalho que eu poderia em todos eles e registrei de uma maneira digna sempre que possível. A cada projeto meu ‘portfolio’ crescia. Através dessas gravações pude apresentar meu trabalho para um publico maior e possíveis novos colaboradores e/ou contratantes. Cada projeto era uma alavanca para alcançar novos projetos e continuar crescendo.


Então fica aqui uma dica, para você criador musical, que pode estar sentindo que não tem oportunidades e não sabe o que, nem como fazer para sair desta situação. Inclusive, para você que, pela frustração, tem se questionado se há algum problema ou se realmente nasceu para a música.


Aproveite as oportunidades que você tem agora. Não importa o quão pequena ou simples ela seja, e faça o melhor que você puder. Além disso, tente registrar este momento, esta realização, porque talvez ela te ajude muito a dar os próximos passos.


Minha trajetória – Tudo está conectado!

A oportunidade de arranjar para a Metropole Orkest na Holanda é um bom exemplo. Para quem ainda não conhece, esta é, muito provavelmente, a principal orquestra dedicada ao repertório jazz sinfônico do mundo. Excelente nível, trabalhos fantásticos, com uma ótima estrutura de gravação. Ou seja, um sonho para qualquer compositor ou arranjador que trabalhe com este universo entre a música erudita e a música popular.


E você deve estar se perguntando como é que eu cheguei lá. Acertei?



Eu consegui essa oportunidade através do edital para o workshop anual destinado a jovens arranjadores. Eles selecionam cerca de 10 jovens arranjadores do mundo para trabalhar com a orquestra durante uma semana. Cada arranjador escreve um arranjo para o concerto, além de um breve arranjo instrumental para ser gravado. Tudo em uma estrutura de workshop onde a orquestra completa ensaia essas novas obras sob a supervisão de Vince Mendoza, um dos grandes arranjadores da nossa época (diretor musical da Metropole por muitos anos).


Para ser um dos poucos selecionados, eu precisava mostrar para a banca que eu era um dos melhores novos arranjadores do mundo. Uma tarefa difícil, principalmente a considerar que a escolha seria embasada somente no material enviado: currículo e material demonstrativo (poucas partituras e gravações de arranjos originais).


Foi graças às gravações que eu havia feito na Universidade de Miami, onde eu cursava meu doutorado, que eu consegui reunir um bom material e me qualificar para o workshop. A partir deste ponto, você já deve ter notado a importância de registrar projetos anteriores de forma adequada.


Mas, aí você pode pensar: “Poxa, Rafael! Mas você já estava na Universidade de Miami, uma das grandes universidades dos Estados Unidos, especialmente quando o assunto é prática de estúdio e gravação, além de um dos melhores departamentos de jazz do mundo.”


Sim, é verdade! Mas, para chegar lá eu também fiz a mesma coisa, em outra escala. Eu estava na Unicamp, no Brasil, me inscrevendo para a universidade de Miami. Então na Unicamp, eu fiz um recital de formatura e, na ocasião, contratei uma pequena equipe de áudio e vídeo para fazer uma gravação bacana desse meu concerto. E foi essa gravação que eu utilizei no material enviado com a minha inscrição na universidade de Miami.


“Mas, Rafael, você já estava se formando na Unicamp. Aí fica complicado pra quem não teve uma oportunidade assim” - você pode me questionar. E eu serei taxativo: é a mesma coisa! É só voltar um degrau. Para entrar na Unicamp, eu tive oportunidades anteriores. Eu escrevi composições, fiz aulas de composição, e criei estas primeiras oportunidades através de muito esforço. Ou seja, cada uma dessas oportunidades foi utilizada como um degrau para a próxima.


Aliás, tenho outros dois artigos contando essas histórias:


Seja para nós criadores musicais, artistas, ou qualquer pessoa que queira crescer na carreira, tudo é bagagem e oportunidade para subirmos um degrau a mais em nossos objetivos. E, se me permitem uma última dica, de nada adianta apenas aguardar que alguém lhe pegue pela mão e ofereça um projeto, dos menores aos maiores. Crie suas próprias oportunidades, sem medo! Dê você o primeiro passo!

 

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Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador
Sobre o autor

Rafael Piccolotto de Lima foi indicado para o Grammy Latino como melhor compositor erudito. Ele é doutor em composição de jazz pela Universidade de Miami e tem múltiplos prêmios como arranjador, diretor musical, produtor e educador.


Suas obras foram estreadas e/ou gravadas por artistas como as lendas do jazz Terence Blanchard, Chick Corea e Brad Mehldau, renomados artistas brasileiros como Ivan Lins, Romero Lubambo, e Proveta, e orquestras como a Jazz Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica das Américas e Metropole Orkest (Holanda).


Criadores musicais (conteúdo educacional):

Rafael Piccolotto de Lima (conteúdo artístico):
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