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Uma grande sacada: o ego não cabe nas partituras

Atualizado: 6 de nov. de 2022

Quer saber qual foi a grande sacada que eu tive logo no começo da minha carreira, que mudou a minha vida e foi um dos fatores determinantes para o meu sucesso? Eu coloquei em prática uma das minhas promessas de Réveillon!


Calma... vou explicar melhor! Eu tive um insight relacionado às parcerias artísticas e profissionais: o 'segredo' do sucesso da maioria dos grandes artistas que nós conhecemos e admiramos.



Uma atitude simples mudou minha trajetória

Sabe um desses momentos de virada de ano, em que a gente fica mais reflexivo e faz um balanço de tudo que estamos vivenciando? No meu segundo ano de universidade, eu decidi deixar meu ego de lado e buscar parcerias com pessoas que eram 'melhores' do que eu.


Eu digo relativamente simples, porque é muito comum, principalmente quando somos muito jovens, ter receio de trabalhar com pessoas muito mais experientes, proficiantes ou talentosas que nós. As vezes não nos sentirmos capazes, podemos sentir vergonha ou até sermos tomados por aquela síndrome do impostor. Abandonei isso há mais de 15 anos.


Eu observava colegas músicos que eram extremamente talentosos e, na época, faziam trabalhos que me inspiravam. Resolvi que eram essas as pessoas com quem eu deveria realizar projetos em parceria.


Eu me lembro da cena e da promessa que fiz a mim mesmo: "ano que vem quero fazer um projeto com tal pessoa e tal pessoa". Eram colegas que cursavam Música Popular na Unicamp, músicos que já tinham ganhado prêmios nacionais, ou que tocavam nos principais eventos da cidade. Naquele meu universo regional, acadêmico, eram os meus “heróis”.


A verdade é que trabalhar com pessoas tão boas ou melhores que você eleva e potencializa o nível e resultado do seu trabalho. Durante minhas primeiras “investidas”, notei esta diferença e muitas outras portas se abriram por consequência.


Rafael Piccolotto de Lima explicando um arranjo para Chick Corea - Gravação de album ao vivo e programa de TV para a PBS (televisão aberta norte-americana)

Trago uma citação, não exata, do diretor e roteirista de cinema Woody Allen: ele dizia que quanto melhor forem seu elenco e sua equipe, mais fácil é o trabalho de um diretor e melhor será o resultado. Da mesma maneira, você, enquanto um diretor musical ou líder de algum projeto, deve selecionar cuidadosamente os artistas para trabalhar com você.


Em oposição, quando a gente está em um ambiente onde nós somos muito mais experientes, proficientes ou talentosos do que todos os outros ao nosso redor, é muito mais difícil evoluir. Nessas circuntâncias não temos quem nos 'puxar para cima'.


Habilidades e capacidades complementares

Mas não confunda essa minha postura e busca por certas colaborações musicais com menosprezo a colegas menos experientes ou proficientes. Muitas vezes podemos encontrar nessas pessoas habilidades e capacidades que sejam complementares as nossas e que nos puxem pra cima em outros aspectos da nossa jornada artística.


Miles Davis é um exemplo de músico que fez muito isso, e fez muito bem! Ele convidava músicos talentosíssimos que eram mais jovens do que ele para participarem de seus grupos. Esses jovens talentos traziam um frescor, criatividade e vitalidade para seu trabalho.


No final das contas todos ganham!


Instituições de estudo e ambiente artístico

Ressalto aqui também o valor da experiência de estudo em universidades ou conservatórios onde o ingresso é disputado e difícil. A barreira de entrada – como o vestibular e uma prova de aptidão de vários dias, comum nas universidades estaduais e federais brasileiras – faz com que só entrem aqueles que estão realmente interessados e dedicados ao estudo musical. Dessa maneira temos a oportunidade de estar lado a lado com outras pessoas que, assim como nós, trabalharam muito para chegar lá. Músicos que, provavelmente, são bons no que fazem. Estar ao lado de colegas talentosos e dedicados cria um ambiente propício para o desenvolvimento, elevando expectativas e impulsionando o crescimento de todos.


O mesmo vale para estar em uma cidade com uma cena musical de alto nível, assunto para um outro artigo aqui para a página.


Minha dica de ouro

Se coloque em um meio com pessoas as quais você admira e que estejam produzindo coisas fantásticas ao seu redor. Sempre tente trabalhar com pessoas que te acrescentem e que sejam melhores que você em algum aspecto. Ou, pelo menos, tenham habilidades complementares e que sejam tão boas quantos as suas!

 

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Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador
Sobre o autor

Rafael Piccolotto de Lima foi indicado para o Grammy Latino como melhor compositor erudito. Ele é doutor em composição de jazz pela Universidade de Miami e tem múltiplos prêmios como arranjador, diretor musical, produtor e educador.


Suas obras foram estreadas e/ou gravadas por artistas como as lendas do jazz Terence Blanchard, Chick Corea e Brad Mehldau, renomados artistas brasileiros como Ivan Lins, Romero Lubambo, e Proveta, e orquestras como a Jazz Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica das Américas e Metropole Orkest (Holanda).


Criadores musicais (conteúdo educacional):

Rafael Piccolotto de Lima (conteúdo artístico):
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