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Sucesso ou fracasso? Novas possibilidades do cenário musical

O que faz com que certos músicos sejam celebrados, enquanto outras trajetórias passem quase despercebidas? O que faz com que certos músicos ganhem o mundo, construam um público fiel, entrem para o canon da produção musical mundial, enquanto outros mal consigam tirar seus projetos da gaveta?


O talento? O esforço? A visão artística? Com certeza! Mas, a conversa vai muito além disso.


Temos que entender que o sucesso (social, mercadológico, financeiro) de um músico depende de uma série de fatores, incluindo questões de empreendedorismo musical e produção artística feita de maneira estratégica.



Apresento para você nesse artigo um breve estudo de caso e algumas reflexões sobre um jovem pianista de jazz em Nova Iorque que ganhou relativa fama recentemente. Aproveito para refletir também sobre o presente e futuro da música, especialmente sobre o viés da produção de artistas independentes.


Estudo de caso: Emmet Cohen.

O músico a quem me refiro é Emmet Cohen, pianista de jazz. Talvez você já o tenha visto na internet. Durante a pandemia, ele ganhou grande visibilidade no meio musical de jazz e chegou a viralizar alguns vídeos. Ele fez uma série de transmissões ao vivo semanais que atraiam milhares de pessoas, além de milhões de visualizações nos replays nas mais diversas plataformas.


Ele já tinha uma carreira musical com certo sucesso antes da pandemia, mas tudo tomou uma proporção muito maior em função dessa série de iniciativas tomadas em 2020. Emmet teve uma sacada que transformou um momento dramático na vida profissional da maioria dos músicos - a pandemia - em uma grande oportunidade para ele e uma série de músicos e profissionais com quem ele trabalha.


Ele se apresentava, semanalmente, na sala da sua casa com seu trio e um ou mais convidados especiais. Artistas locais de referência e relativa fama que estavam parados em função da pandemia. Randy Brecker (trompete), Christian McBride (baixo) e Cyrille Aimée (voz) são alguns exemplos. Emmet criou e solidificou parcerias musicais, ao mesmo tempo em que ganhava fama online em um nicho relativamente restrito e difícil: o jazz.


Tudo começou com transmissões em uma estrutura super simples, quase amadora: somente o celular. Aos poucos, a qualidade da produção foi aumentando, juntamente com seu público e suporte financeiro de seguidores, patrocinadores e doadores.


Eu cheguei a trabalhar em duas dessas transmissões em novembro de 2020. Fiz a produção audiovisual nesses dias, na posição de videografo. Lembro claramente da minha caminhada, voltando para casa após a apresentação, pensando que ali estava um possível modelo para o futuro, uma possível direção e caminho que tantos músicos vêm buscando. Minha cabeça borbulhava de ideias.


Uma prova do seu sucesso é ver seu nome junto com as lendas do jazz no voto popular dos leitores da revista Downbeat, como Herbie Hancock ou Brad Mehldau. De lá pra cá o Emmet continuou com suas produções. Agora, pós pandemia, ele viaja pelo mundo colhendo os frutos do público que ele cativou com essas transmissões ao vivo. Ele é um exemplo de como uma produção estratégica bem feita pode transformar a carreira de um músico, independente do estilo.


4 Lições sobre produção musical

Dentre as muitas reflexões que essa experiência como Emmet me levou, eu ressalto 4 pontos essenciais que podem ajudar qualquer músico a dar os próximos passos nesse novo cenário musical:


1 - Habilidade audiovisual.

Vivemos em um mundo onde os vídeos dominam a atenção das pessoas nas mídias sociais. Então, produzir material audiovisual de qualidade é extremamente importante para qualquer um que queira apresentar seu trabalho online. Nesse contexto, fica claro como o conhecimento, habilidade e capacidade de produção audiovisual são valiosos para músicos nos dias de hoje. Seja para produzir de maneira totalmente autônoma, ou para saber como melhor trabalhar com profissionais prestadores de serviço nessas capacidades.


2 - Acessibilidade.

Hoje em dia temos muito mais acesso aos recursos que viabilizam produções de qualidade. Os equipamentos e tecnologias a nossa disposição são muito melhores e mais baratos do que em qualquer outro momento da história. Se décadas atrás a gravação de um video multicamera e uma transmissão ao vivo eram privilégios de artistas com grande orçamento, hoje isso é muito mais acessível para a maioria das pessoas. É só uma questão de saber como fazer e otimizar os recursos que se tem.


3 - Novos formatos são novas oportunidades.

As mudanças no cenário musical podem ser grandes oportunidades para novos talentos ganharem espaço. Novas mídias, novas plataformas e novas tecnologias são chances de crescer e ocupar posições que não existiam anteriormente.


4 - Importância da construção de público.

O sucesso profissional de um artista está muito relacionado a existência de um público interessado. Nesse sentido, uma produção bem feita e constante é capaz de atrair (e manter) um público fiel. Músicos devem entender que precisam estar ativos - agora, mais do que nunca - para continuarem relevantes e manterem seus fãs engajados.


Conclusão

O cenário musical está em constante transformação. E isso é uma excelente notícia para aqueles que estão dispostos a se arriscar utilizando o que há de novo. Usar as novas tecnologias e modelos como plataformas para apresentarem a sua arte.


Te pergunto então: Você está aproveitando as possibilidades que essas tecnologias nos dão?

O que você tem produzido ultimamente?


Caso você queria se aprofundar um pouco mais nesse assunto, eu recomendo um outro artigo sobre a posição do criador musical, como de criador de conteúdo online.


 

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Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador
Sobre o autor

Rafael Piccolotto de Lima foi indicado para o Grammy Latino como melhor compositor erudito. Ele é doutor em composição de jazz pela Universidade de Miami e tem múltiplos prêmios como arranjador, diretor musical, produtor e educador.


Suas obras foram estreadas e/ou gravadas por artistas como as lendas do jazz Terence Blanchard, Chick Corea e Brad Mehldau, renomados artistas brasileiros como Ivan Lins, Romero Lubambo, e Proveta, e orquestras como a Jazz Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica das Américas e Metropole Orkest (Holanda).


Criadores musicais (conteúdo educacional):

Rafael Piccolotto de Lima (conteúdo artístico):
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