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Seja aprendiz dos gênios da música! Mas como?

Atualizado: 14 de mai. de 2023

E se eu te dissesse que é possível ser aprendiz dos maiores compositores da história?


E mais, que isso independe de onde você esteja?


Ou até mesmo do fato deste criador musical ter vivido em outra época?


Não acredita? Vou te explicar como!



A genialidade dos grandes criadores se mantém viva através da sua obra, do seu legado. E essas obras revelam muito sobre seus criadores. Elas são verdadeiros 'mapas da mina' para aqueles capazes de ver além das notas musicais.


E é aqui que entra o tópico desse artigo: análise musical.


Você sabe fazer? Já analisou suas obras favoritas?


O estudo da análise musical

Muitos de vocês devem se perguntar por que análise musical é uma das coisas mais importantes para compositores, arranjadores, orquestradores e criadores musicais em geral.


Se você fez, está cursando ou pensa em fazer uma faculdade de música, provavelmente sabe que uma aula chamada análise musical faz parte do currículo. Eu por exemplo tive dois anos dessa matéria durante o curso de composição na Unicamp. Mas, por quê?


Basicamente, esse estudo é uma maneira de “decodificar” as obras dos grandes mestres, e através disso buscar o conhecimento direto na fonte.


Foi, muito provavelmente, através deste tipo análise que as regras que vemos nos livro de teoria musical foram criadas. Regras de encadeamento harmônico, de condução de vozes e de contraponto são alguns exemplos. Através da observação de obras de referência foram criados os métodos de escrita musical que conhecemos. Na maioria dos casos a teoria veio como reflexo de práticas que davam certo.


Se pensarmos bem, toda tradição de ensino musical é baseada na sistematização de procedimentos observados em práticas estabelecidas. Isso inclui todo material pedagógico que é utilizado por professores e instituições de ensino ao redor do mundo. Todo esse entendimento formatado nos métodos e livros de teoria auxilia na eficiência do ensino; gera exercícios e diretrizes que nos ajudam a desenvolver habilidades essenciais para as mais variadas práticas musicais.


Mas, além de basearmos nosso estudo somente nos métodos e nessa sistematização feita por teóricos musicais, nós podemos ir direto na origem! Temos a oportunidade – através da análise musical – de fazer nossas próprias leituras e chegar as nossas próprias conclusões. Sábios são aqueles que se debruçam de maneira analítica sobre as obras dos grandes compositores do passado.



Aprender a quebrar regras

No caso da análise musical, nós vamos diretamente na fonte. Podemos entender como as regras que aprendemos nas aulas de teoria são utilizadas e, também, como são quebradas. Quando estudamos os métodos de contraponto e harmonia - por exemplo -, e depois observamos as obras consagradas, descobrimos que em muitas dessas criações, grandes compositores "quebraram regras" de uma maneira que faz sentido musical.


Quando analisamos “a fonte”, podemos nos inspirar nela. Eu, particularmente, acho que essa é uma das melhores maneiras de aprender. Eu analisei muitas obras durante minha vida. Inclusive tenho uma gaveta em casa com uma série de grades orquestrais que utilizo para a análise de compositores que eu gosto. A idéia não é – obviamente – copiar, mas ser inspirado e influenciado; incorporar elementos, conceitos e idéias musicais destes compositores no meu fazer musical.


Tanto para escrita, quanto para a performance

Eu falo enquanto compositor e arranjador, mas também como instrumentista improvisador. Em um dos primeiros workshops que eu fiz fora do Brasil - com o grande saxofonista David Liebman, no Canadá em 2006 -, aprendi que a transcrição de solos e a prática de tocar junto com gravações dos grandes solistas, é uma das maneiras mais eficientes de aprimorar sua linguagem musical. Essa é uma excelente maneira de conseguir soar mais parecido com grandes músicos. Você acaba incorporando elementos de performance no seu fazer musical. Muito parecido com o que acontece em relação a análise de composições.


Exemplo - Alguém que me influenciou muito

Vou usar o exemplo de uma pessoa que foi muito importante para mim: a Maria Schneider – se você não conhece o trabalho dela ainda, vale a pena conhecer! Ela é uma compositora de jazz que, de certa maneira, virou referência da escrita musical contemporânea para grandes grupos de jazz – as Big Bands.


Maria Schneider e Rafael Piccolotto de Lima em conversa antes de concerto na Universidade de Miami.

Ao analisar as músicas dela, ouvir suas gravações repetidas vezes com a grade orquestral em mãos, foi possível compreender certos aspectos da sua maneira de pensar. Como resultado, eu incorporei algumas destas práticas de escrita – que eu gosto muito – ao meu fazer musical. Tive, inclusive, a oportunidade de conversar com ela diversas vezes e, através dessas conversas, confirmar observações feitas a partir da análise de suas obras. Tenho certeza de que esse processo todo enriqueceu muito a minha escrita musical, minhas composições e arranjos.


Seja discípulo dos grandes mestres

A análise é, no fim das contas, um trabalho de observação crítica do legado deixado pelos grandes mestres, nos possibilitando a inspiração e aprendizado. Desta maneira podemos ser - indiretamente - alunos dos maiores compositores da história. É uma questão de ouvir, ler, observar e incorporar.

 

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Rafael Piccolotto de Lima - Compositor, arranjador, diretor musical, produtor musical e educador
Sobre o autor

Rafael Piccolotto de Lima foi indicado para o Grammy Latino como melhor compositor erudito. Ele é doutor em composição de jazz pela Universidade de Miami e tem múltiplos prêmios como arranjador, diretor musical, produtor e educador.


Suas obras foram estreadas e/ou gravadas por artistas como as lendas do jazz Terence Blanchard, Chick Corea e Brad Mehldau, renomados artistas brasileiros como Ivan Lins, Romero Lubambo, e Proveta, e orquestras como a Jazz Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica das Américas e Metropole Orkest (Holanda).


Criadores musicais (conteúdo educacional):

Rafael Piccolotto de Lima (conteúdo artístico):
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